19 cursos de Engenharia perderam
financiamento
Pedro Araújo
O financiamento do Estado vai ser cortado em 26 cursos do Ensino
Superior público, que, no entanto, vão continuar a
funcionar de modo próprio, conforme foi anunciado recentemente a
propósito das vagas para o próximo ano. Na lista de
cursos, agora divulgada, há 19 engenharias. Adriano
Pimpão, ex-presidente do Conselho de Reitores das Universidades
Portuguesas - CRUP (2000-2005) não entende a medida,
considerando que os interesses do país ao nível da
formação estão postos em causa.
Um despacho interno do Ministério da Ciência Tecnologia e
Ensino Superior (MCTES), de 2005, determinou, com efeitos no ano
lectivo 2006/07, que o número de vagas para cada curso em cada
estabelecimento não poderia ser inferior a 20. Por outro lado,
não seriam considerados para efeitos de financiamento de novas
admissões os cursos em que os novos alunos no 1.º ano
não tivessem sido pelo menos 20 em 2005-2006 ou 40 no conjunto
dos últimos três anos lectivos.
Adriano Pimpão diz que a sua posição
crítica não se alterou. "Podemos estar a não
financiar cursos que têm interesse para o país. O
critério não pode ser o número, mas sim o tipo de
curso. Em segundo lugar, isso vai levar a uma
concentração do Ensino Superior nas grandes
metrópoles. Acho que é uma medida que pode trazer
consequências nefastas para o desenvolvimento do país".
De acordo com o ex-presidente do CRUP, poderá concluir-se que
há uma ou outra Engenharia que não interessa, mas o facto
de a maioria ser dessa área científica mostra como pode
ser errada a actual política de financiamento. "Pelo
critério do número, nem precisávamos de ministros
para tomar as decisões, bastava um funcionário
administrativo com carimbo. Nós também podemos ter a
situação contrária. Há cursos com muitos
candidatos (Sociologia ou Comunicação são disso
exemplo), mas que neste momento podem não interessar ao
país", afirmou Adriano Pimpão.
É absurdo, por exemplo, não financiar a Engenharia dos
Materiais da Universidade de Coimbra. O ensino público tem de
oferecer algumas áreas, mesmo que tenha poucos alunos. E a
política do Governo é cortar progressivamente no
financiamento ao ensino público nas áreas menos
procuradas", comentou Mário de Carvalho, especialista em Ensino
Superior da Federação Nacional de Professores (Fenprof).
A poupança obtida pelo não financiamento dos 26 cursos em
causa andará próxima de 1,57 milhão de euros. Nas
universidades estão em causa 251 vagas e no politécnico
140 vagas. No primeiro caso, o custo médio por aluno é de
4403 euros anuais (dados de 2006 apresentados no relatório da
OCDE sobre o Ensino Superior em Portugal), o que dá um total de
1,1 milhão de euros. No caso dos alunos dos politécnicos,
o custo anual é de 3383 euros que, multiplicando, pelas 140
vagas dos cursos não financiados, dá um total de 470 820
euros. A soma das duas parcelas dá uma ideia aproximada de
quanto o MTCES irá poupar no próximo ano.
fonte:
Jornal de
Notícias
01.08.06