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Falsos polícias traficavam arroz como se fosse droga

Dois jovens do Norte “instalaram-se” na Praça da República, em Coimbra, para se dedicarem ao tráfico de droga. Um “negócio” que os suspeitos trataram com “requinte” preparando-se para vender arroz em vez de cocaína e haxixe

A Polícia Judiciária, através da Directoria de Coimbra, identificou e deteve dois jovens, com 23 e 33 anos de idade, pelo presumível tráfico de estupefacientes. Os dois indivíduos, oriundos da zona do Porto, um auxiliar de acção educativa e outro metalúrgico de formação mas sem exercer, “instalaram-se” na Praça da República, em Coimbra, preparados para proceder ao tráfico de droga. Todavia, não se limitaram a proceder à venda, “armaram-se” de um conjunto de outros “ingredientes”, onde a droga, nomeadamente haxixe e cocaína, era apenas um elemento que tão pouco assumia as funções principais.
Isto porque os presumíveis traficantes também se terão feito passar por polícias. Embora sem farda (estavam à paisana), apresentavam distintivos próprios da polícia e tinham em seu poder algemas e duas armas de fogo de grande calibre (9mm), normalmente usadas por aquela força policial. Um “disfarce” que os detidos terão usado ou se preparavam para usar preferencialmente junto de pequenos traficantes de estupefacientes.
Com efeito, de acordo com fonte da Polícia Judiciária, os alvos destes dois falsos polícias seriam “compradores especiais” de droga, ou seja, pequenos traficantes-retalhistas que, posteriormente, procederiam à sua venda ao consumidor.
Para tanto, os falsos polícias tinham algumas “amostras”, pequenas quantidades de haxixe e cocaína, que atestavam, junto do cliente, a qualidade do produto. Para complementar estas amostras existiam pacotes devidamente embalados, supostamente destinados à venda/compra.
Mas os falsos polícias não se limitaram a apresentar falsos distintivos (apesar das armas e das algemas serem autênticas), também estenderam a “falsificação” à droga, porquanto os pacotes devidamente acondicionados não continham haxixe ou cocaína, como seria suposto, mas tão só vulgar arroz usado para confeccionar os mais variados pratos. Significa que se preparavam para “vender gato por lebre”, apropriando-se do dinheiro dos compradores, que dificilmente iriam, sentindo-se enganados, apresentar queixa às autoridades pela burla de que acabavam de ser vítimas.

Situação inédita

Relativamente às algemas, pistolas e crachás, a Polícia Judiciária pensa que poderiam ser utilizados numa segunda “encenação”, também ela destinada a apropriar-se do dinheiro dos crédulos compradores. Ou seja, num quadro de uma pretensa transacção, surgiria, a dado passo, a “figura” da autoridade, munida da respectiva arma, distintivo e algemas, o que colocaria, de imediato, o comprador em fuga, com o dinheiro já na mão de um dos dois suspeitos. Os mesmos distintivos policiais poderiam ser usados em caso de tentativa de retaliação por parte de um comprador enganado, que fosse “pedir contas”. A simples apresentação do distintivo, algemas e arma invalidaria qualquer “reclamação”.
Trata-se, de acordo com fonte da Polícia Judiciária, de «uma situação inédita», cuja estratégia não deixa de primar pela imaginação. Aquela polícia de investigação criminal adianta ainda, com algum humor, que este caso é sintomático de igualdade dos cidadãos perante a lei, pois «até os traficantes a Judiciária protege».
Os dois suspeitos, detidos na tarde de terça-feira, na Praça da República, em Coimbra, tinham em seu poder, para além dos distintivos de polícia e algemas, duas armas de fogo de grande calibre, pequenas quantidades de cocaína e haxixe, dois pacotes «acondicionados de modo a criar a convicção de que continham heroína» e ainda 1580 euros em dinheiro, material apreendido pela PJ. Os detidos foram ontem presentes a tribunal para primeiro interrogatório. Para além do tráfico de estupefacientes, são suspeitos dos crimes de falsa qualidade e uso de armas proibidas.  


fonte: Diário de Coimbra
15.06.06