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14-06-2006
Patrícia Cruz Almeida

Prescrições podem suspender mais de 300 alunos



Mais de 300 de alunos do ISEC podem vir a ser suspensos no âmbito da entrada em vigor da lei de financiamento do Ensino Superior, que estabelece um regime de prescrições.
Foi com muita apreensão que os alunos do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) receberam a notícia. Na semana passada, o Conselho Directivo do instituto enviou um e-mail a todos os alunos, dando conta da entrada em vigor (no próximo ano) da lei 37/2003 – "Financiamento do Ensino Superior", que estabelece um regime de prescrições.
Em termos práticos, se um estudante não tiver aproveitamento escolar (obtendo um certo número de unidades de crédito por cada ano), considera-se prescrito o direito à matrícula e a inscrição nesse curso. O estudante fica, assim, impedido de se candidatar de novo a esse ou outro curso nos dois semestres seguintes.
O documento enviado aos alunos e a que o DIÁRIO AS BEIRAS teve acesso, diz o seguinte: "informam-se todos os estudantes do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra que a Lei n.º 37/2003, de 22 de Agosto, que estabelece as bases do financiamento do ensino superior, tendo entrado em vigor no ano lectivo de 2003/2004 começa no próximo ano lectivo 2006/07 a provocar os seus efeitos".

João Amaro, presidente da Associação de Estudantes do ISEC prefere não entrar em "alarmismos" porque, "neste momento, ainda não se sabe o que vai acontecer". De acordo com o dirigente associativo, o Conselho Directivo tem "uma lista de mais de 300 alunos que estão em risco de prescrever", mas "mais de metade desses estudantes ainda podem concluir disciplinas e, assim, obter créditos durante o presente semestre e na época de Setembro", frisou. Além disso, João Amaro alertou para o facto do Conselho Directivo não ter tido em conta o regime especial para o trabalhador-estudante (contabilizado 0,5 por cada inscrição que tenha efectuado nessas condições).
Contactado pelo DIÁRIO AS BEIRAS, Jorge Bernardino, presidente do Conselho Directivo do ISEC, disse que o instituto está "apenas a ver qual é o impacto dos alunos ao saber que a lei vai entrar em vigor no próximo ano lectivo. Além disso, lembrou, os estudantes ainda "têm duas ou três épocas de exame" para obter unidades de crédito. "Estamos a fazer um estudo [sobre os alunos em risco de prescrever], mas ainda não temos dados completos", frisou.
Segundo a lei de financiamento, o regime de prescrições vai ao encontro do princípio da "responsabilização dos estudantes, entendido no sentido de que estes devem mostrar adequado aproveitamento escolar, justificando, pelo seu mérito, o acesso ao bem social de que beneficiam".

 



fonte: Diário das Beiras
14.06.06