Porque Bob Dylan não veio à Europa receber o prémio Nobel

Descobrimos porque Bob Dylan não veio à Europa receber o prémio Nobel. Os nossos hackers que são do mais profissional que existe, gravaram a conversa que desvenda o mistério por detrás da recambolesca estória da atribuição de um prémio de literatura a um músico.

E nós revelamos aqui a conversa, partilhando-a assim com os nossos leitores:

Eram para aí umas três da tarde, tinha o Dylan acabado de acordar, e recebe um telefonema do seu agente:

Tá lá, Dylan?

Sim, tou, diz…

– Olha ganhaste o prémio Nobel, atribuído por uma aldeia qualquer lá na Europa…

– Prémio quê?!

– Nobel

– Nobel? já ouvi falar, mas oh pá esse prémio é para políticos, escritores, cientistas, etc., esses gajos devem ter-se enganado, eu sou músico.

– Não se enganaram não, ganhaste o prémio da literatura…

– Da literatura?! mas tens a certeza?

– Sim tenho, olha, então é assim…

E lá ficaram tarde fora na amena cavaqueira um a explicar ao outro que sendo músico tinha ganho o prémio Nobel da literatura e este a perguntar-lhe se tinha memória de algum escritor ter ganho um grammy. O agente do Dylan nunca tinha ouvido falar em escritores a serem premiados por cantar nem que fosse no duche, mas vá lá saber-se de tudo.

E tinha razão o agente do Dylan. Pelo menos em Portugal, Cavaco Silva recebeu um doutoramento em Literatura por uma universidade de Goa, e consta que o homem era incapaz de distinguir Thomas Mann de Thomas More (ainda bem que ninguém teve a triste ideia de lhe perguntar se sabia distinguir  Thomas More de Thomas Moore!) Ora se um economista recebe um doutoramento em Literatura, quanto fará um músico, para mais famoso como o nosso Dylan.

À boquinha da noite, ainda a matutar nisso do Nobel, Dylan foi à wikipédia informar-se sobre o assunto. Saber mais sobre a coisa. E percebeu logo o furo; essa malta do Nobel quer é promover-se aqui à custa do velhote. Que estou um pouco entravadote com os meus 75 anos, mas parvo é que eu não sou.

E nem ligou mais para o caso. Pensava o Dylan na sua ingenuidade que a malta lá dessa aldeia na Europa lhe remeteria o cheque pelo correio. Quando isso acontecesse, retribuiria então um cartão de agradecimentos.

Mas o pior estava para vir. A malta do Nobel, queria-O lá pessoalmente a receber o prémio. Isso aí já era demais. Bob Dylan por esta altura já começa a pensar que “maldito o dia em que se lembraram de me aborrecer”. Nem respondeu ao convite.

Aconselhado por uns amigos mais dados a relações públicas, que lhe explicaram que na Europa a malta dava muita importância a isso do Nobel, o consagrado músico de “Blowing in the wind“, lá concordou que alguém redigisse uma missiva de agradecimento em seu nome, a agradecer a distinção, mas foi logo avisando que não punha lá os pés. E não pôs.

A comissão do Nobel ficou muito ofendida, mas depois de perceber que isto de se promoverem à custa do Dylan não resultou, (e ainda lhe iam entregar uma pipa de massa, como a vida é injusta por vezes!)  convidaram a Patti Smith para cantar uma canção do adorado escritor, perdão, músico.

Acontece é que a idade não perdoa e a Patti, que já vai nos 70, esqueceu-se da letra a meio da cerimónia. Só acontece a quem está lá, foi apenas mais um fait-diver para encher páginas de jornais e revistas e assim terminou o espectáculo de atribuição de um prémio de literatura a um músico que nem se dignou a aparecer.

Tudo muito “europeu”, como se percebe. Para o ano, quem sabe o prémio de Literatura talvez vá para Donal Trump. Pelo menos o homem já escreveu alguns livros (do tipo, “como enriquecer sem pagar impostos” e outros não menos pragmáticos). E talvez ele venha, talvez seja mais bem educado que Dylan…

Eu não confiaria nisso. Ah! e uma coisa muito importante a ter em atenção; A comissão lá do Nobel (lê-se nobél, afirmava Saramago) pode até nem escolher o Trump ou Hillary Clinton para prémio Nobel da Literatura, mas a um escritor, isso por favor não! É que não faz sentido.