Jornalistas vão estragando o que resta do jornais e ao mesmo tempo queixando-se da vida

Jornalistas vão estragando o que resta dos jornais e ao mesmo tempo queixando-se da vida

Muito se queixam as pessoas ligadas aos jornais e revistas. Que a imprensa escrita está em dificuldades, que as vendas estão a diminuir. As causa são variadas e complexas. Mas.

Mas possivelmente, (para mim de forma exuberante), os próprios tem a sua fatia de responsabilidade no rombo que está a levar o barco ao fundo.

Já nem falo da obsessão com as namoradas do Cristiano Ronaldo e com outras Kardashians que por aí andam e com que nos massacram o juízo todos os dias.

Refiro-me à forma, ao discurso, à linguagem moldada de propósito para os habitantes do facebook, como se nada nem ninguém mais no mundo existisse. E é bem possível que seja tudo o que eles conhecem.

Veja-se este exemplo no JN de hoje: “a cantora norte-americana Nicki Minaj posou num “ménage à trois” para a capa da revista Paper. A foto ousada, entretanto denominada “Minaj à trois”, levou as redes sociais à loucura.

“Levou as redes sociais à loucura”?! Mas isto é forma de escrever? Repetir frases feitas e gastas, inventadas por adolescentes agora é jornalismo? O que é a “loucura” das redes sociais? Como se cura? Isso ataca as pessoas que vão aos cafés, também? Apanha-se em casa?

Não deixa de ser irónico que quem faz este tipo de “jornalismo” venha depois queixar-se na praça pública, que não se vendem jornais.

A realidade, a minha pelo menos, é que me desagrada este tipo de escrita no Jornal de Notícias. Se eu quisesse ler estas palermices, estas redondas vacuidades, ainda para mais escritas em tom superlativo, comprava a Maria ou outras do género.

luís lemos