Urban Beach: “Quanto mais me bates, mais gosto de ti”

Este episódio da Urban Beach (não confundir com “urban bitch“) lança um novo olhar sobre o marketing. Ou pelo menos pensamos nós.

Do que conseguimos perceber, trata-se de uma discoteca em Lisboa que contrata seguranças para darem cacetada nos clientes. Um raciocínio que é aliás dogma de alguns empresários e também de algumas grandes empresas de telecomunicações, por exemplo, que se resume à simpática frase “os clientes que se f…”. Assim na linha do filme “O Lobo de Wall Street”.

Pelo menos em tese, a ideia até nem parece deslocada de todo. Os portugueses (alguns) foram espoliados, quando não mesmo roubados, pelo governo de Passos Coelho e do seu amigo Portas e depois o que aconteceu? Ganharam as eleições.

Os bancos furtaram e furtam os clientes a torto e a direito e riem-se na cara daqueles que furtam e os portugueses continuam a confiar neles (vão buscar o frigorífico à dona de casa que o não pode pagar porque ficou desempregada, mas oferecem 300 milhões ao Berardo). Nada mais natural do que esses sujeitos da Urban Beach deduzirem que seria boa estratégia comercial maltratarem os clientes.

Talvez tenham até ouvido a máxima “quanto mais me bastes, mais gosto de ti”. O que seria mais um motivo para os levar a considerar a adoptar a teoria e nova estratégia de marketing, que se tornou notícia, e que no fundo consiste em encher de pancadaria os clientes que um dia pensaram em entrar nesse estabelecimento.

Não se pode levar a mal os homens da Urban. Eles sabem da coisa. Se pensarmos que o próprio país esteve debaixo de uma ditadura durante 48 anos (ditadura que utilizou a censura e a PIDE) e os portugueses elegeram como o maior português do século XX, Salazar, se levarmos isso em conta, como poderemos condenar os sujeitos da Urban Beach?

Tudo junto, temos uma nova teoria de marketing, que só é nova no nome, como se vê. O cliente gosta é de ser maltratado e até apanhar cacetada de vez em quando.

Eu vejo no hipermercado os clientes a maltratarem as promotoras, (ou a olharem-nas com enfado) normalmente simpáticas jovens que lhes pretendem oferecer um chocolate ou um iogurte. Não gostam de simpatia. Preferem ser maltratados e pagar para apanharem. Está aberta uma nova filosofia de marketing com um sucesso possivelmente promissor.

Por tudo isto, não vejo nenhum motivo para censurar esses tais sujeitos da Uban Beach. Que aliás, devem mesmo ter ficado espantados com a reação dos media.

Pedro Castro