Vasco Lima Couto – Noite

Vasco Lima Couto – Noite

Noite de Vasco Lima Couto é um poema que foi musicado, ao que sabemos, por Max e interpretado não só por este artista madeirense, como também por Carlos do Carmo, entre outros.

Trata-se de um poema extraordinário que merece ser evidenciado sempre e em todas as ocasiões possíveis.

Vasco Lima Couto foi um poeta portugês que nasceu em 1923 e morreu em 1980. Para além de poeta, foi também actor, encenador e locutor de rádio.

Como actor, representou mais de 40 peças, algumas, como afirma o site portaldofado, cuja representação dificilmente será esquecida.

Ainda, de acordo com o mesmo website, Vasco Lima Couto era um homem que “reflectia sobre as coisas do seu tempo”. E Efectivamente, quem lê o que Lima Couto escreveu sobre variados assuntos da cultura, terá obrigatoriamente que reconhecer isso.

Já agora, e a título de curiosidade, registe-se que em 1966, estava então no Teatro da Trindade, representou a peça, “Todos eram meus filhos”, de Miller (referido-nos ao importante dramaturgo norte-americano Arthur Miller e ao seu estrondoso sucesso que foi a obra referida).

E deixamos aqui esta referência, porque ultimamente muito se tem falado na rádio, em particular na Antena 2, da vida e obra do dramaturgo norte-americano.

Deixamos-lhe aqui, o poema “Noite”:

Sou da noite um filho noite
Trago rugas nos meus dedos
De guardarem os segredos
Nas altas pontes do amor

E canto porque é preciso
Raiar a dor que me impele
A gravar na minha pele
As fontes da minha dor

Noite, companheira dos meus gritos
Rio de sonhos aflitos
Das aves que abandonei

Noite, céu dos meus casos perdidos
Vêm de longe os sentidos
Nas canções que eu entreguei

Oh minha mãe de arvoredos
Que penteias a saudade
Com que vi a humanidade
A minha voz soluçar

Dei-te um corpo de segredos
Onde risquei minha mágoa
E onde bebi essa água
Que se prendia no ar

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